quinta-feira, 29 de março de 2012

Acossado (1960) - Jean-Luc Godard

cover À bout de souffle
Avaliação (IMDB): star star star star star star star star star star 7.9/10
Título original: À Bout de Souffle 
Título nacional: Acossado
País: France
Idiomas falados: Inglês, Francês
Gênero(s) Crime, Drama
Ano:1960
Duração: 90 min. / p&b
Diretor: Jean-Luc Godard
Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger, Henri-Jacques Huet, Van Doude, Roger Hanin, Claude Mansard, Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Melville, Richard Balducci
Tipo de mídia: DVD
Legendas: Português
Sinopse: Michel Poiccard, an irresponsible sociopath and small-time thief, steals a car and impulsively murders the motorcycle policeman who pursues him. Now wanted by the authorities, he renews his relationship with Patricia Franchini, a hip American girl studying journalism at the Sorbonne, whom he had met in Nice a few weeks earlier. Before leaving Paris, he plans to collect a debt from an underworld acquaintance and expects her to accompany him on his planned getaway to Italy. Even with his face in the local papers and media, Poiccard seems oblivious to the dragnet that is slowly closing around him as he recklessly pursues his love of American movies and libidinous interest in the beautiful American.

Tudo ou quase é tomado de empréstimo neste pálido decalque do filme noir americano:o assunto, o gênero e o tema tirados do cinema hollywoodiano,a atriz Jean Seberg, retomada tal e qual no Bom dia tristeza, de Preminger. Apesar disso, o filme será considerado uma revolução no cinema francês ankylosé ( enrijecido, paralisado) da época. No plano material e financeiro, o fato de que tenha custado três ou quatro vezes menos que um filme médio e feito um sucesso imediato e considerável lhe valeu uma corte de imitadores. No plano visual, seu estilo “rascunho” ( brouillon), brutal, que suprime- é esta sua principal inovação- as ligações tradicionais da narrativa cinematográfica ( ouverture au noir, fade in, fade out) vai aparecer como a própria imagem da juventude cinematográfica. Em relação ao assunto, os “jovens”, entidade vaga e disseminada, vão se tornar por um longo tempo o tema principal das ficções do cinema francês. Claro, o cinema francês, atolado na ditadura de seus metteurs em scéne quinquagenários e sexagenários ( geralmente talentosos), em sua rigidez sindical e profissional, tinha com certeza necessidade de um banho de Juvência ( Juventude).

Mas sem dúvida o remédio foi pior que o mal. Todos os elementos constitutivos da mise em scéne foram afetados. A ausência de preparação e construção no roteiro vai debilitar todas as histórias ( a de Acossado, por exemplo, é exangue). A filmagem sistemática em externas vai aniquilar, pouco a pouco, com a vida dos estúdios. A foto de estilo “reportagem” tornará caduca- por um certo tempo- toda pesquisa nesse domínio. Apenas a chegada como “vedette” de Jean Paul Belmondo pode ser considerado um elemento inovador. Passando em seguida e sem esforço do filme “de autor” ao cinema comercial, quebrando as divisões e categorias convencionais, Belomondo preparará o caminho para um tipo de ator polivalente, para o qual Dépardieu fornece hoje o modelo.

Com o mesmo approach agressivo e glacial do real, Godard consagrar-se-á em seguida a pintar, não sem complacência, a confusão geral de sua geração, ampla matéria a dezenas de filmes. A única razão pela qual Acossado merece ser mencionado hoje em dia é que ele marca, com o caráter de um marco limiar, a entrada do cinema na era da perda de sua inocência e de sua magia natural. Entrada esta da qual um único filme não poderia ser tido como responsável, evidentemente. Depois de Acossado, o cinema, como que ferido de morte, será mais triste, menos criativo, mais consciente de si mesmo- self-conscious, como dizem os ingleses com uma discreta nuance pejorativa
Fonte: Cine Belas Artes



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