segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sindicato de Ladrões (1954) - Elia Kazan

cover On the Waterfront
Avaliação (IMDB): star star star star star star star star star star 8.3/10 (63824 votos)
Título original: On the Water Front 
Título nacional: Sindicato de Ladrões
País: USA
Idiomas falados: Inglês
Gênero(s) Drama, Crime
Ano:1954
Duração:108 min. / p&b
Diretor: Elia Kazan
Elenco: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning, Leif Erickson, James Westerfield, John Heldabrand, Rudy Bond, Martin Balsam, John Hamilton
Tipo de mídia: DVD
Legendas: Português
Sinopse: Terry Malloy dreams about being a prize fighter, while tending his pigeons and running errands at the docks for Johnny Friendly, the corrupt boss of the dockers union. Terry witnesses a murder by two of Johnny's thugs, and later meets the dead man's sister and feels responsible for his death. She introduces him to Father Barry, who tries to force him to provide information for the courts that will smash the dock racketeers.

“As docas de Nova York” já é o título de um filme de 1928. Se não fosse, seria um ótimo nome para este filme que ganhou oito Oscars, revelou uma jovem atriz, teve seus bastidores permeados pelo espírito caça-comunista e apresentou um dos monólogos inesquecíveis da sétima arte.
O ainda belo Marlon Brando já era sex-symbol popularizado por “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire” (1951) e “O Selvagem / The wild one” (1953). Aqui vive Terry Malloy, ex-lutador fracassado que cria pombos e está à mercê do chefe do sindicato John Friendly (Lee J. Cobb), a mando de quem participa de um assassinato. Tudo se complica quando ele se apaixona pela irmã do estivador que ajudou a matar, a bela Edie Doyle (Eva Marie Saint), moça que vai à luta e convence o padre Barry (Karl Malden, com quem Brando já trabalhara em “Uma rua Chamada Pecado”) a agir contra a corrupção.

“Sindicato de Ladrões” é uma história de traição, dentro e fora das telas. Terry foi traído pelo irmão advogado, Charlie (Rod Steiger). O garotinho (Arthur Keegan) que admirava Terry, ao descobrir em seu ídolo também um assassino, mata seus pombos. É impossível falar do filme sem citar a história por trás dele, correndo em paralelo no Comitê de Atividades Antiamericanas no Congresso. Elia Kazan, diretor também de outros clássicos, ex-membro ativo do Partido Comunista, ao ver-se acusado, decidiu apontar seus antigos camaradas e colocou-os em maus lençóis. O dramaturgo Arthur Miller, marido de Marilyn Monroe, trabalhava no roteiro do filme e decidiu abandoná-lo, passando a escrever uma peça que fazia referência à caça às bruxas que acontecia em Washington.

Miller abandonou o projeto quando os chefes do estúdio exigiram que os gangsters, vilões do filme, fossem comunistas. Kazan escalou então o amigo Budd (vejam só, “amigo” em inglês!) Schulberg para escrever o roteiro, baseando-se em uma série de 24 artigos de jornal que garantiram o Prêmio Pulitzer para o jornalista Malcolm Johnson. Mais tarde Kazan tornou pública sua identificação com Terry, dividido sem saber a quem ser leal. Conflitos à parte, o diretor tornou-se persona non grata no meio artístico, da mesma forma como foram excluídos aqueles que ele delatou. Em 1999, ao receber um Oscar honorário, Elia Kazan viu a Academia dividir-se entre contentes e indiferentes, criando um clima pesado inédito na festa do Oscar (pelo menos na entrega do prêmio honorário).

Apesar de sua atuação ter lhe rendido seu primeiro Oscar, Marlon Brando não queria aceitar o papel. John Garfield era a primeira escolha, mas faleceu antes de começarem as filmagens. Frank Sinatra já havia aceitado e estava louco para atuar revivendo parte de sua juventude em Hoboken, New Jersey, mas os produtores persuadiram Brando, pois queriam um nome que chamasse mais a atenção do público. Mesmo com um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante ganhado no mesmo ano, Frank foi descartado. Para convencer Brando, foi feito um teste falso: um jovem ator do Actor’s Studio foi chamado para simular a leitura do papel e despertar a competitividade de Brando. Funcionou. O jovem ator chamado para a farsa mais tarde ganharia destaque: Paul Newman.
Durante as filmagens, Brando ia diariamente a um analista que o ajudava a lidar com a recente morte da mãe. Isso obrigava toda a equipe a se adequar aos compromissos do ator. Um exemplo é o famoso diálogo entre os irmãos no banco do táxi. Marlon começou a improvisar suas falas, dizendo trivialidades, e enfureceu o diretor Elia Kazan. Então seguiu o roteiro, gravou sua parte e saiu para a consulta. O ator Rod Steiger teve de gravar seus closes sem ter com quem contracenar. Isso tornou ainda mais profunda sua expressão de desolação, visto que ele ficou bastante chateado com a saída de Brando durante a gravação.

Sindicato de ladroes from luiggi gardilin on Vimeo.

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