domingo, 1 de abril de 2012

O Atalante (1934) - Jean Vigo

cover L'Atalante
Avaliação (IMDB): star star star star star star star star star star 7.9/10
Título original: L'Atalante
Título nacional: O Atalante
País: France, 89 minutos
Idiomas falados: Francês, Russo
Gênero(s) Drama, Romance
Ano:1934
Diretor: Jean Vigo
Elenco: Jean Dasté, Dita Parlo, Michel Simon, Gilles Margaritis, Louis Lefebvre, Maurice Gilles, Raphaël Diligent
Tipo de mídia: DVD
Legendas: Português
Sinopse: When Juliette marries Jean, she comes to live on his ship, on board of which are, besides the two of them, only a cabin boy and the strange old second mate Pere Jules. Soon bored by life on the river, she slips off to see the nightlife when they come to Paris. Angered by this, Jean sets off, leaving Juliette behind. Overcome by grief and longing for his wife, Jean falls into a depression and Pere Jules goes and tries to find Juliette.

Em O Atalante, ao mesmo tempo em que o realismo beira o documental (Truffaut costumava dizer que esse é o tipo de filme em que “pés fedem”), Vigo faz emergir um mundo repleto de símbolos e fantasias, de felizes coincidências e de estranhos milagres do dia-a-dia. Do olhar de Vigo surgem o real e o alegórico, o belo e o grotesco, que coexistem naturalmente, assentados sob uma série de imagens enigmáticas, descontínuas e líricas. Aqui, o banal dá lugar a uma pulsante teia de imaginações.
O cerne do filme é quase como um conto de fadas. Jean, dono da barcaça L’Atalante, casa-se com Juliette e os dois vão viver navegando pelos canais de Paris. Apesar de terem uma forte ligação erótica, o relacionamento limitado àquele pequeno espaço torna-se difícil para a moça que, seduzida por um vendedor ambulante, acaba fugindo para descobrir os prazeres da vida na cidade grande. Desesperado, Jean é prontamente socorrido por père Jules — seu imediato e uma espécie de fada-madrinha burlesca — que sai em busca de Juliette pelas ruas de Paris.

A partir de um argumento bastante comum, resta à imaginação de Vigo rejeitar o moralismo para não cair na pieguice tão recorrente a esse tipo de filme. Seu olhar fortemente marcado pelo surrealismo combina momentos de estranha graça, conferidos pelas súbitas mudanças de humor de Dita Parlo (como Juliette) e a presença marcante de Michel Simon (como père Jules), a situações contraditórias à realidade, como a família que acompanha o cortejo que mais parece uma marcha fúnebre, ou o ambiente um tanto sombrio para um casamento. Esse olhar é acentuado pela característica elíptica do roteiro, que apesar de não ser o foco principal do cineasta, ajuda a criar um ambiente aberto à imaginação. Em contrapartida, o filme abre espaço para uma das constantes preocupações de Vigo: um viés naturalista sobre a difícil situação econômica e social da década de 30, expressa na cena em que Juliette integra uma fila real de desempregados.
Fonte: Cine Belas Artes

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